self worth is hard work

. 13 agosto, 2018 .
Desde muito nova tive que aprender a lidar com a minha estatura, não por opção, mas porque me foi apontado por outros o "problema" do meu peso. A verdade é esta: sempre fui magra e, em certa altura da minha adolescência, poderiam mesmo considerar-me magra "de mais" para a minha altura. 

Foi, desta forma, que começou a minha jornada pela reconquista da minha auto-estima, da minha imagem e do meu corpo. Já que os outros comentavam, eu não tinha forma de não o notar também, por isso, quando me fartei dos comentários maldosos - às vezes carregados de inveja ou má-língua,  ora disfarçados de preocupação, ora por gozo - decidi resolver o assunto pela forma que na altura me parecia mais lógica, engordar.

Claro que não resultou. Não era por comer mais comida que o meu metabolismo iria alterar-se, nem seria por exercitar mais que o iria fazer acontecer, em particular aos 13 e aos 14 anos. O meu corpo (tal como o corpo de todos os adolescentes) estava a mudar, ao seu ritmo, e não havia nada que pudesse fazer, especialmente motivado pelo comportamento dos outros em relação ao que só a mim dizia respeito. 

Atualmente reconheço isso, como é óbvio. E foi ao arrumar o meu quarto que descobri um diário onde, entre outras coisas, apontava o meu peso - quase semanalmente - e extraía conclusões sobre o quanto ainda "precisava" ganhar para ser "normal". Ao revê-lo percebi que, embora não tivesse seguido à risca o meu "plano", estava envolvida numa espiral que poderia ter dado muito mau resultado.

Felizmente, e sem evocar o que à nutrição e à psicologia diz respeito, decidi que o melhor a fazer era começar a ignorar os comentários - que com a idade e com a mudança de ambiente foram diminuindo -, aceitar as minhas curvas (e a falta delas), começar a vestir roupa que enaltece não só a minha estatura, bem como me deixa realmente radiante. Foi ao encontrar o meu estilo, foi ao continuar a comer aquilo que mais me dá prazer - em conjunto com aquilo a que se pode chamar uma dieta equilibrada  -, foi ao fazer exercício físico (nem que fosse andar imenso a pé) e foi, essencialmente, devido a uma mudança no modo em como me olho ao espelho que consegui começar a gostar do meu corpo como ele é.


No fim das contas, o meio social, a forma de vestir e essencialmente a própria mentalidade, que se encontrava bastante focada na opinião que os outros retinham, resultou numa consciencialização exagerada sobre o meu peso.

Contudo, foram esses mesmos indicadores que me fizeram ganhar confiança em mim e no meu valor hoje. Ora porque deixei de dar importância aos comentários dos outros sobre a minha estatura - e outras particularidades -, ora porque comecei a valorizar o meu estado de espírito sobre tudo o resto, o que se refletiu na valorização das minhas escolhas, opiniões e imagem.



Desde muito nova tive que aprender a lidar com a minha estatura, não por opção, mas porque me foi apontado por outros o "problema" do meu peso. A verdade é esta: sempre fui magra e, em certa altura da minha adolescência, poderiam mesmo considerar-me magra "de mais" para a minha altura. 

Foi, desta forma, que começou a minha jornada pela reconquista da minha auto-estima, da minha imagem e do meu corpo. Já que os outros comentavam, eu não tinha forma de não o notar também, por isso, quando me fartei dos comentários maldosos - às vezes carregados de inveja ou má-língua,  ora disfarçados de preocupação, ora por gozo - decidi resolver o assunto pela forma que na altura me parecia mais lógica, engordar.

Claro que não resultou. Não era por comer mais comida que o meu metabolismo iria alterar-se, nem seria por exercitar mais que o iria fazer acontecer, em particular aos 13 e aos 14 anos. O meu corpo (tal como o corpo de todos os adolescentes) estava a mudar, ao seu ritmo, e não havia nada que pudesse fazer, especialmente motivado pelo comportamento dos outros em relação ao que só a mim dizia respeito. 

Atualmente reconheço isso, como é óbvio. E foi ao arrumar o meu quarto que descobri um diário onde, entre outras coisas, apontava o meu peso - quase semanalmente - e extraía conclusões sobre o quanto ainda "precisava" ganhar para ser "normal". Ao revê-lo percebi que, embora não tivesse seguido à risca o meu "plano", estava envolvida numa espiral que poderia ter dado muito mau resultado.

Felizmente, e sem evocar o que à nutrição e à psicologia diz respeito, decidi que o melhor a fazer era começar a ignorar os comentários - que com a idade e com a mudança de ambiente foram diminuindo -, aceitar as minhas curvas (e a falta delas), começar a vestir roupa que enaltece não só a minha estatura, bem como me deixa realmente radiante. Foi ao encontrar o meu estilo, foi ao continuar a comer aquilo que mais me dá prazer - em conjunto com aquilo a que se pode chamar uma dieta equilibrada  -, foi ao fazer exercício físico (nem que fosse andar imenso a pé) e foi, essencialmente, devido a uma mudança no modo em como me olho ao espelho que consegui começar a gostar do meu corpo como ele é.


No fim das contas, o meio social, a forma de vestir e essencialmente a própria mentalidade, que se encontrava bastante focada na opinião que os outros retinham, resultou numa consciencialização exagerada sobre o meu peso.

Contudo, foram esses mesmos indicadores que me fizeram ganhar confiança em mim e no meu valor hoje. Ora porque deixei de dar importância aos comentários dos outros sobre a minha estatura - e outras particularidades -, ora porque comecei a valorizar o meu estado de espírito sobre tudo o resto, o que se refletiu na valorização das minhas escolhas, opiniões e imagem.



8 comentários

  1. You're truly inspiring. Acho que as pessoas se esquecem mesmo do efeito que as palavras delas pode ter na nossa saúde a longo prazo. Como tu, deixei-me levar pelo que achavam de mim e me chamavam, a diferença foi que não consegui parar essas vozes na minha mente a tempo e ainda hoje sofro as réplicas disso. É um caminho quase sem volta. Como sabes, há sempre marcar que ficam e, não gosto de falar disto, no meu caso, ainda é um processo de recuperação, apesar de já estar mais saudável. É um treta a pressão social que existe para seguirmos todos um padrão quando, na verdade, somos todos tão bonitos a partir do momento em que damos a conhecer o nosso interior mágico e belo.
    Obrigada pela tua partilha, flor. És ainda mais inspiradora aos meus olhos. 🌟

    ResponderEliminar
  2. Adorei o primeiro look, está super giro!!

    Novo post: http://abpmartinsdreamwithme.blogspot.com/2018/08/as-boias-tendencia-do-momento.html

    Beijinhos ♥

    ResponderEliminar
  3. SIIIIM!! Way to go gurl!! O pior mesmo é as pessoas que fazem essas observações ou acharem que é okay porque na cabeça delas é um elogio ou porque as faz sentir melhor com elas mesmas. Mas ainda bem mesmo que conseguiste fazer as pazes com o teu corpo, não há mesmo nada melhor!

    ResponderEliminar
  4. Muito obrigada pela sinceridade desta história. É isto que me apaixona tanto na blogosfera, o relato de histórias reais, de assuntos que mexem com as nossas inseguranças ao invés das vidas perfeitas que muitos fingem ter.
    Dão para nos encaixarmos nos padrões da sociedade, por mais que queiramos. Se temos mais peso "ai, estás muito gorda, tens que emagrecer", se temos muito peso "ai, tu estás muito magra, come antes que fiques anorética". O nosso peso não é representativo da nossa saúde. as pessoas não têm noção disso nem do quanto as palavras podem comprometer a saúde dos outros.
    Tal como tu, sou uma pessoa magra. Tirando uma fase em que engordei alguns quilos devido à pílula, sempre fui magra e também ouvi muitos comentários maldosos à conta disso. Tal como tu, elaborei um plano para engordar (embora não tenha sido tão rígido como o teu, nunca cheguei a registar o peso), mas cheguei a comer muitas porcarias seguidas como chocolate ao ponto de ficar bastante enjoada. Eventualmente, percebi que nada podia fazer para contrariar o meu metabolismo e entrei na longa jornada de me aceitar a mim própria.
    Já tinha saudades de te ler, continua a escrever estes textos inspiradores, por favor! Por muitas fases más que a blogosfera passe, terás sempre seguidores fiéis.
    Beijinhos
    Blog: Life of Cherry

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada também pelo teu testemunho! Parecendo que não ajuda a perceber que todos, de uma forma ou de outra, temos momentos e pequenas coisas que nos é difícil falar - porque não as ultrapassamos ou porque as desvalorizamos - e que somos todos seres humanos com as nossas fragilidades.
      Um beijinho!

      Eliminar
  5. Este post foi um dos posts mais sinceros e inspiradores que já li em todo o meu tempo de blog! Despertaste-me uma certa esperança que necessitava à uns tempos e nem sabes o quanto isso é bom para mim. Fizeste-me acreditar que também era capaz de superar o facto de ser magra e não gostar do meu corpo assim, sei que ainda tenho algum trabalho pela frente, mas também sei que ganhei mais força! Obrigada

    ResponderEliminar
  6. Ao contrário de ti, sempre fui vítima das más línguas por ter peso a mais. Para uma adolescente, acrescentada à quantidade de hormonas, as típicas frustrações e tanto mais, só muito recentemente é que aprendi a desligar daquilo que as pessoas dizem. Quando me concentrei em mim mesma, tornou-se bem mais fácil descobrir o porquê de eu querer emagrecer, praticar exercício e até comer de maneira consciente!
    Quando estamos de pazes feitas connosco mesmos, é tudo tão mais tolerável... É de louvar o facto de te teres superado e esquecido a opinião dos outros! Desde que sejas saudável e feliz, isso é o que importa!

    Beijinhos,
    LYNE, IMPERIUM

    ResponderEliminar

newer older Página inicial