o meu erasmus em Copenhaga

. 28 julho, 2018 .
 

Este último semestre da faculdade foi passado em Erasmus, na Dinamarca. Fui a única da minha universidade a escolher Copenhaga como destino e, sem surpresas, a única portuguesa a fazer Erasmus naquela faculdade.

Foram 5 meses longe da família e dos amigos, a viver pela primeira vez sozinha e a estudar fora, numa lingua que não é a minha, num país, em tudo, diferente de Portugal.

Deste modo, decidi partilhar a minha experiência e dividi-la pelos pontos que achei mais pertinentes.

A Escolha 
Muito antes de sequer imaginar que curso seguir e de entrar para a faculdade, de uma coisa tinha certeza: eu queria fazer Erasmus. Sempre sonhei em estudar fora e adquirir a minha independência desta forma. Tinha a certeza de que iria crescer, conhecer lugares maravilhosos e de fazer amizades com pessoas de toda a parte.

Por isso, quando as inscrições para Erasmus abriram, tive uma conversa bastante aberta com os meus pais e, consequentemente, candidatei-me para estudar fora no 2º Semestre, do meu 2º ano. Honestamente, considero que é a melhor altura para ir para fora, uma vez que nem sempre é possível obter a creditação para todas as cadeiras e, assim, fica garantido mais um ano para as fazer, ao nosso passo. Aliás, foi o que aconteceu comigo. Quando regressei tive que fazer duas cadeiras por exame e até correu bem - decidi que não queria deixá-las para o 3º ano.

Quanto à escolha, em si, recaiu sobre as faculdades disponíveis para o meu curso, que leccionassem em Inglês e onde não fosse necessário obter qualquer diploma de língua - como o First Certificate do Cambridge, por exemplo, uma vez que não tenho e nem ia adquirir a tempo.

Após esta seleção restaram três opções que me interessaram, nomeadamente, Copenhaga. Fixei Copenhaga como destino por ser uma capital no norte da europa e, deste modo, longe da cultura à qual estou habituada, assim como por ter uma enorme vocação para o design, área pela qual me interesso e que queria explorar.

A Cultura 
Confesso que ao embarcar nesta aventura para a Dinamarca, pouco sabia acerca da cultura, a não ser o significado da palavra hygge devido ao livro “the little book of hygge” e que os dinamarqueses eram considerados “as pessoas mais felizes do mundo” - também graças ao mesmo livro.

A ideia pareceu-me óptima, o país parecia convidativo e as pessoas pareciam partilhar dos mesmos valores que eu. Na realidade, o país é de facto convidativo, as pessoas são extremamente simpáticas e falam todas muito bem inglês, mas são extremamente fechadas para si. Convivem muito dentro de casa, especialmente quando o tempo fica frio, e, por isso, senti-as distantes.

O facto de ter ido parar a uma turma internacional não ajudou na minha integração à cultura dinamarquesa, uma vez que acabei por não conhecer nenhum dinamarquês enquanto lá estive - a não ser os professores. Em contrapartida, os alunos internacionais foram acolhedores.

No que diz respeito à cidade, nota-se que Copenhaga estima as artes e desenvolve espaços para serem vividos pelos seus habitantes. É possível visitar a biblioteca ou museus e dois dos parques mais antigos do mundo no inverno e ir nadar no centro da cidade, passear pelos jardins e ir às compras confortavelmente no verão. Há uma atenção redobrada no planeamento da cidade, o que torna Copenhaga numa cidade moderna e próxima de todos.



A Faculdade 
Acho que aquilo que mais me surpreendeu na Dinamarca foi mesmo o método de ensino na faculdade para onde fui, a KEA.

Ao fazer o learning agreement percebi que a organização do semestre daquela faculdade era diferente ao que estou habituada com a minha. Isto porque, eu não fiz todas as cadeiras do ano correspondente de lá: deixei de fora a cadeira opcional e percebi que, em vista disso, o meu semestre iria acabar mais cedo.

Basicamente, eles organizam o semestre por “módulos”, sendo cada semana um tema e, por isso, as cadeiras são feitas todas em simultâneo - para terem noção eu nunca sabia que “cadeira” estava a ter, só o tema daquele dia e para aquela semana. Ou seja, têm um método de ensino muito polivalente e experimental, uma vez que os nossos trabalhos eram à base do que resultava para nós, enquanto designers daquele projeto.

Para além de leccionarem em inglês, a faculdade lá é gratuita para dinamarqueses e europeus, daí ter sido colocada numa turma internacional que estuda em Copenhaga a tempo inteiro.

As Viagens 
Ir de Erasmus e não aproveitar para conhecer mais do país hospedeiro e dos envolventes é perder uma oportunidade única e eu bem o sabia.

Deste modo, e como Copenhaga ficava apenas a uma hora de distância da Suécia, cheguei a passar um dia em Malmo. É uma cidade que se vê bem num só dia e fica-se conhecer o outro lado do Mar Báltico.

Quando as minhas aulas terminaram aproveitei, também, para ir a Berlim, uma vez que os voos eram super baratos.


O Resumo 
Em traços gerais aproveitei o meu Erasmus da melhor forma, ora porque conheci imensas pessoas, ora porque fiz parte de (quase) todas as atividades académicas e ainda cheguei a conhecer muito do país.

Confesso que esta experiência também me fez crescer, uma vez que me ajudou a perceber o limite da minha zona de conforto e, claro, rebentou com a bolha confortável em que vivia.

Se pudesse voltar a fazer Erasmus fazia-o num abrir e fechar de olhos. Provavelmente escolheria um país completamente diferente da Dinamarca. Mais quente e solarengo, definitivamente.
 

Este último semestre da faculdade foi passado em Erasmus, na Dinamarca. Fui a única da minha universidade a escolher Copenhaga como destino e, sem surpresas, a única portuguesa a fazer Erasmus naquela faculdade.

Foram 5 meses longe da família e dos amigos, a viver pela primeira vez sozinha e a estudar fora, numa lingua que não é a minha, num país, em tudo, diferente de Portugal.

Deste modo, decidi partilhar a minha experiência e dividi-la pelos pontos que achei mais pertinentes.

A Escolha 
Muito antes de sequer imaginar que curso seguir e de entrar para a faculdade, de uma coisa tinha certeza: eu queria fazer Erasmus. Sempre sonhei em estudar fora e adquirir a minha independência desta forma. Tinha a certeza de que iria crescer, conhecer lugares maravilhosos e de fazer amizades com pessoas de toda a parte.

Por isso, quando as inscrições para Erasmus abriram, tive uma conversa bastante aberta com os meus pais e, consequentemente, candidatei-me para estudar fora no 2º Semestre, do meu 2º ano. Honestamente, considero que é a melhor altura para ir para fora, uma vez que nem sempre é possível obter a creditação para todas as cadeiras e, assim, fica garantido mais um ano para as fazer, ao nosso passo. Aliás, foi o que aconteceu comigo. Quando regressei tive que fazer duas cadeiras por exame e até correu bem - decidi que não queria deixá-las para o 3º ano.

Quanto à escolha, em si, recaiu sobre as faculdades disponíveis para o meu curso, que leccionassem em Inglês e onde não fosse necessário obter qualquer diploma de língua - como o First Certificate do Cambridge, por exemplo, uma vez que não tenho e nem ia adquirir a tempo.

Após esta seleção restaram três opções que me interessaram, nomeadamente, Copenhaga. Fixei Copenhaga como destino por ser uma capital no norte da europa e, deste modo, longe da cultura à qual estou habituada, assim como por ter uma enorme vocação para o design, área pela qual me interesso e que queria explorar.

A Cultura 
Confesso que ao embarcar nesta aventura para a Dinamarca, pouco sabia acerca da cultura, a não ser o significado da palavra hygge devido ao livro “the little book of hygge” e que os dinamarqueses eram considerados “as pessoas mais felizes do mundo” - também graças ao mesmo livro.

A ideia pareceu-me óptima, o país parecia convidativo e as pessoas pareciam partilhar dos mesmos valores que eu. Na realidade, o país é de facto convidativo, as pessoas são extremamente simpáticas e falam todas muito bem inglês, mas são extremamente fechadas para si. Convivem muito dentro de casa, especialmente quando o tempo fica frio, e, por isso, senti-as distantes.

O facto de ter ido parar a uma turma internacional não ajudou na minha integração à cultura dinamarquesa, uma vez que acabei por não conhecer nenhum dinamarquês enquanto lá estive - a não ser os professores. Em contrapartida, os alunos internacionais foram acolhedores.

No que diz respeito à cidade, nota-se que Copenhaga estima as artes e desenvolve espaços para serem vividos pelos seus habitantes. É possível visitar a biblioteca ou museus e dois dos parques mais antigos do mundo no inverno e ir nadar no centro da cidade, passear pelos jardins e ir às compras confortavelmente no verão. Há uma atenção redobrada no planeamento da cidade, o que torna Copenhaga numa cidade moderna e próxima de todos.



A Faculdade 
Acho que aquilo que mais me surpreendeu na Dinamarca foi mesmo o método de ensino na faculdade para onde fui, a KEA.

Ao fazer o learning agreement percebi que a organização do semestre daquela faculdade era diferente ao que estou habituada com a minha. Isto porque, eu não fiz todas as cadeiras do ano correspondente de lá: deixei de fora a cadeira opcional e percebi que, em vista disso, o meu semestre iria acabar mais cedo.

Basicamente, eles organizam o semestre por “módulos”, sendo cada semana um tema e, por isso, as cadeiras são feitas todas em simultâneo - para terem noção eu nunca sabia que “cadeira” estava a ter, só o tema daquele dia e para aquela semana. Ou seja, têm um método de ensino muito polivalente e experimental, uma vez que os nossos trabalhos eram à base do que resultava para nós, enquanto designers daquele projeto.

Para além de leccionarem em inglês, a faculdade lá é gratuita para dinamarqueses e europeus, daí ter sido colocada numa turma internacional que estuda em Copenhaga a tempo inteiro.

As Viagens 
Ir de Erasmus e não aproveitar para conhecer mais do país hospedeiro e dos envolventes é perder uma oportunidade única e eu bem o sabia.

Deste modo, e como Copenhaga ficava apenas a uma hora de distância da Suécia, cheguei a passar um dia em Malmo. É uma cidade que se vê bem num só dia e fica-se conhecer o outro lado do Mar Báltico.

Quando as minhas aulas terminaram aproveitei, também, para ir a Berlim, uma vez que os voos eram super baratos.


O Resumo 
Em traços gerais aproveitei o meu Erasmus da melhor forma, ora porque conheci imensas pessoas, ora porque fiz parte de (quase) todas as atividades académicas e ainda cheguei a conhecer muito do país.

Confesso que esta experiência também me fez crescer, uma vez que me ajudou a perceber o limite da minha zona de conforto e, claro, rebentou com a bolha confortável em que vivia.

Se pudesse voltar a fazer Erasmus fazia-o num abrir e fechar de olhos. Provavelmente escolheria um país completamente diferente da Dinamarca. Mais quente e solarengo, definitivamente.

3 comentários

  1. Fiz Erasmus na Holanda e adorei!! Se pudesse, também faria outra vez. É uma experiência incrível, que nos faz crescer e conhecer um bocadinho mais do mundo.

    Beijinhos,
    Ensaio Sobre o Desassossego

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  2. Gostava imenso de ter podido fazer erasmus, mas não tipo oportunidade, mas sempre achei que era algo super interessante a nível cultural, pessoal e profissional. Sei que me iria sentir muito realizada a todos os níveis. E é bom saber que gostaste e que aproveitaste e acima de tudo que te acrescentou algo novo e bom a ti a à tua vida!

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  3. Não tive oportunidade de fazer Erasmus mas é uma iniciativa que sem dúvida alguma admiro bastante, bem como as pessoas que da mesma fazem parte por ser precisamente como disseste algo que "rebenta a bolha".
    Ainda bem que te correu tudo bem e foi uma ótima experiência :)
    Parece-me ser uma cidade fantástica e que realmente tem tudo bem pensado!

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